Mestrado na França passo nº 5 - Planejamento financeiro - trabalhar na França?
A frase "fazer um mestrado em Paris" desperta ao mesmo tempo dois sentimentos: 1 - realizar um sonho em uma cidade que dispensa apresentações. 2 - cair da cadeira ao colocar na planilha quanto esse sonho custa. Bom, como eu estou escrevendo esse post de terras francesas, então vocês podem supor que sim, é possível fazer um mestrado com meios próprios sem ser ryco. Antes de explicar a maneira que eu achei que me convinha, achei importante começar essa série de posts sobre planejamento financeiro avisando que, sim, é possível trabalhar enquanto você faz o seu mestrado na França.
Se você tem passaporte europeu, bem, você pode fazer o que quiser na União Europeia por tempo indeterminado: estudar, trabalhar, viver, enfim. Mas se seu caso é como o meu, que não tem um avô italiano que te deu direito a vir pra Europa e ficar quanto tempo quiser sem visto, as coisas precisam de um pouco mais de planejamento sim.
Primeiro que, sendo um candidato sem passaporte europeu, você precisa tirar um visto de estudante. Esse visto só vale para cursos longos com uma carga horária mínima estipulada pelo governo francês (1 mês de curso de francês não vale, por exemplo) e te dá direito a trabalhar meio período. Então, basicamente qualquer mestrado vai requerer esse visto e o visto vai te dar direito a trabalhar legalmente enquanto faz seus estudos.
A questão é que, de partida, só para você tirar o visto, você tem que provar para o consulado por meio de extratos bancários e afins que você tem, na sua conta, no mínimo, 615 euros por mês pelo tempo que vai ficar aqui. No meu caso, que era de 1 ano, eu tinha que provar que tinha cerca de 7 mil euros na minha conta bancária, ou seja, na cotação de hoje, cerca de 35 mil reais. E não tem jeito, se você não provar que tem essa grana seu visto é negado e ponto final. Então mesmo que você esteja contando com trabalhar na França para se bancar enquanto faz seu mestrado, antes de sair do Brasil você tem que provar que tem essa grana. Outra opção é algum responsável (geralmente pai ou mãe) assinar um termo de responsabilidade dizendo que vai te enviar mensalmente essa quantia e daí você tem que levar os comprovantes bancários dessa pessoa que prove que ela tenha essa quantia em conta.
E, meus queridos, até chegar no momento "tirar o visto" e provar que você ou seus responsáveis tem essa grana em conta, você já vai ter gastado rios de dinheiro com taxa Campus France, taxa do certificado de proficiência, traduções juramentadas, seguro saúde, taxa do visto... enfim. Cada etapa um rim.
Ok, então você deu um jeito de comprovar que tem essa quantia de 615 euros mensais em conta mas não quer / não pode usar essa grana na sua estadia. Uma saída é aproveitar seu visto e trabalhar as horas permitidas para se bancar. Na realidade parisiense, todo mundo que eu conheço e que precisava trabalhar para se bancar achou um trabalho sim. Obviamente que são trabalhos que um estudante estrangeiro geralmente faz, do tipo baby-sitter, garçom, vendedor e afins. Zero glamour, muita ralação e vivendo em um orçamento restrito. Outros estudantes conseguem trampos à distância e vai ganhando a vida assim.
No meu caso, eu escolhi não trabalhar a jornada que meu visto permitia porque queria me dedicar 100% às aulas e aproveitar a vida de quem só se preocupa em estudar, já que passei boa parte da minha graduação estudando e trabalhando ao mesmo tempo. Mesmo assim, para ter alguma fonte de renda, dou aulas de francês 2 vezes por semana por skype, o que é ótimo, pois não atrapalha minha rotina de estudos e me dá uma graninha por mês.
Então, o resumo da ópera é que sim, aqui em Paris, estudante encontra trabalho de maneira relativamente fácil, mas vai ter que se esforçar o dobro para dar conta do mestrado. Além disso, viver em Paris com 615 euros mensais é praticamente impossível, então se você está contando única e exclusivamente com essa possibilidade de se bancar trabalhando aqui, eu recomendaria ter uma grana guardada antes de vir pra cá, seja para complementar o salário, seja para te segurar pelo menos no primeiro mês.
Mas se você quer fazer como eu fiz, ficar 1 ano aqui sem trabalhar, não tem passaporte europeu nem paitrocínio, saiba que um bom e hiper disciplinado planejamento financeiro pode viabilizar o sonho de vir fazer um mestrado aqui. Isso vai demandar disciplina, paciência, tempo e determinação. Mas isso é história para outro post. ;)
Bisous,
Aline
Se você tem passaporte europeu, bem, você pode fazer o que quiser na União Europeia por tempo indeterminado: estudar, trabalhar, viver, enfim. Mas se seu caso é como o meu, que não tem um avô italiano que te deu direito a vir pra Europa e ficar quanto tempo quiser sem visto, as coisas precisam de um pouco mais de planejamento sim.
Primeiro que, sendo um candidato sem passaporte europeu, você precisa tirar um visto de estudante. Esse visto só vale para cursos longos com uma carga horária mínima estipulada pelo governo francês (1 mês de curso de francês não vale, por exemplo) e te dá direito a trabalhar meio período. Então, basicamente qualquer mestrado vai requerer esse visto e o visto vai te dar direito a trabalhar legalmente enquanto faz seus estudos.
A questão é que, de partida, só para você tirar o visto, você tem que provar para o consulado por meio de extratos bancários e afins que você tem, na sua conta, no mínimo, 615 euros por mês pelo tempo que vai ficar aqui. No meu caso, que era de 1 ano, eu tinha que provar que tinha cerca de 7 mil euros na minha conta bancária, ou seja, na cotação de hoje, cerca de 35 mil reais. E não tem jeito, se você não provar que tem essa grana seu visto é negado e ponto final. Então mesmo que você esteja contando com trabalhar na França para se bancar enquanto faz seu mestrado, antes de sair do Brasil você tem que provar que tem essa grana. Outra opção é algum responsável (geralmente pai ou mãe) assinar um termo de responsabilidade dizendo que vai te enviar mensalmente essa quantia e daí você tem que levar os comprovantes bancários dessa pessoa que prove que ela tenha essa quantia em conta.
E, meus queridos, até chegar no momento "tirar o visto" e provar que você ou seus responsáveis tem essa grana em conta, você já vai ter gastado rios de dinheiro com taxa Campus France, taxa do certificado de proficiência, traduções juramentadas, seguro saúde, taxa do visto... enfim. Cada etapa um rim.
Ok, então você deu um jeito de comprovar que tem essa quantia de 615 euros mensais em conta mas não quer / não pode usar essa grana na sua estadia. Uma saída é aproveitar seu visto e trabalhar as horas permitidas para se bancar. Na realidade parisiense, todo mundo que eu conheço e que precisava trabalhar para se bancar achou um trabalho sim. Obviamente que são trabalhos que um estudante estrangeiro geralmente faz, do tipo baby-sitter, garçom, vendedor e afins. Zero glamour, muita ralação e vivendo em um orçamento restrito. Outros estudantes conseguem trampos à distância e vai ganhando a vida assim.
No meu caso, eu escolhi não trabalhar a jornada que meu visto permitia porque queria me dedicar 100% às aulas e aproveitar a vida de quem só se preocupa em estudar, já que passei boa parte da minha graduação estudando e trabalhando ao mesmo tempo. Mesmo assim, para ter alguma fonte de renda, dou aulas de francês 2 vezes por semana por skype, o que é ótimo, pois não atrapalha minha rotina de estudos e me dá uma graninha por mês.
Então, o resumo da ópera é que sim, aqui em Paris, estudante encontra trabalho de maneira relativamente fácil, mas vai ter que se esforçar o dobro para dar conta do mestrado. Além disso, viver em Paris com 615 euros mensais é praticamente impossível, então se você está contando única e exclusivamente com essa possibilidade de se bancar trabalhando aqui, eu recomendaria ter uma grana guardada antes de vir pra cá, seja para complementar o salário, seja para te segurar pelo menos no primeiro mês.
Mas se você quer fazer como eu fiz, ficar 1 ano aqui sem trabalhar, não tem passaporte europeu nem paitrocínio, saiba que um bom e hiper disciplinado planejamento financeiro pode viabilizar o sonho de vir fazer um mestrado aqui. Isso vai demandar disciplina, paciência, tempo e determinação. Mas isso é história para outro post. ;)
Bisous,
Aline
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