Mestrado na França passo nº 1 - Aprendendo francês
Fazer um mestrado na França não necessariamente exige que você fale francês. Eu mesma conheci um canadense e um alemão que estavam fazendo um mestrado aqui e conheciam apenas o básico da língua. Sim, isso acontece porque, como em muitos outros países europeus, a França oferece mestrados ministrados 100% em inglês. Então, sim, é possível vir pra cá e fazer um mestrado em inglês.
Esse não era meu caso porque o mestrado que eu escolhi era em francês e eu queria praticar a língua que passei anos estudando. Então, na verdade, o meu movimento foi: eu já falava francês e decidi fazer um mestrado na França. Muita gente faz o contrário: decide fazer o mestrado na França e, aí sim, parte para aprender o francês antes de vir. Então aqui eu vou falar da minha experiência pessoal com a aprendizagem do francês, um caminho belo e tortuoso ao mesmo tempo.
Primeiro: eu cursava Letras na USP e, no final do primeiro ano da graduação, podíamos escolher uma habilitação, ou seja, uma língua estrangeira ou linguística, para estudar. Eu tive o privilégio de estudar em uma universidade que oferecia muitas, muitas opções mesmo de habilitação. Grego, latim, russo, alemão, francês, italiano, espanhol, inglês, armênio, chinês e árabe eram algumas delas. Descartei linguística logo de cara porque não gostava do assunto e descartei inglês também porque queria aprender um novo idioma e já me virava nessa língua. Em seguida, descartei os idiomas cujo alfabeto não fosse o latino/romano e descartei o espanhol porque pensei que era uma língua relativamente fácil e que eu poderia aprender por conta própria. No final das contas fiquei entre o francês e o alemão e graças a Zeus escolhi francês. Achava a língua chique e estava curiosa. Foi isso.
Para ser sincera, o francês não é uma língua super difícil não. Por ter a mesma raiz latina que o português, o vocabulário e a gramática são bem parecidos. O que mata é a pronúncia e a ortografia (aquelas consoantes duplas e milhares de acentos na mesma palavra são um terror).
Como eu estudava francês como habilitação do curso de Letras, tinha aulas duas vezes por semana de língua e uma vez por semana tinha aula de literatura francesa. Eu comecei as aulas 100% crua, não conhecia nada, nada mesmo da língua, nem contar de 1 até 10. Então ter a primeiríssima aula de francês já ministrada em francês foi um baque e eu jurei que não ia rolar. Mas sim, rolou. E foi ótimo porque eu definitivamente aprendi francês muito mais rápido do que o inglês, pois desde o início meu ouvido foi treinado à língua e minhas professoras eram ótimas. Porém, a verdade é que eu não era uma aluna suuper aplicada não. Não era de ficar fazendo exercícios em casa e minhas notas eram ok. Passei assim pelo primeiro e segundo ano de francês até que, no terceiro ano, tive aulas com uma professora que foi meu divisor de águas. Ela despertou em mim um desejo de aprender de verdade o francês e levar mais a sério essa empreitada. Nesse período eu senti que a coisa deslanchou: comecei a fazer curso extra-curricular de francês no contra turno pra perder o medo de falar, fazia mil exercícios e fichas de gramática em casa, comecei a assistir filmes e séries sem legenda pra treinar o ouvido etc etc etc.
Resumindo, minha trajetória no francês foi longa, mas se eu tivesse me dedicado mais desde o início, teria aprendido mais rápido, isso é fato. Então, ao longo desse anos, fui descobrindo o que dava certo ou não para mim e compartilho aqui alguns aprendizados:
- É muito legal desde o início assistir séries, filmes e ouvir música e podcast em francês, mas tem que sentar na cadeira e fazer exercícios de conjugação de verbo sim. Désolée.
- A internet tem mil recursos disponíveis para aprender a língua de maneira autônoma, então cuidado pra não ficar perdidx. Eu escolheria 1 gramática (Grammaire progressive du français pra mim foi uma boa, pois é um esquema bem tradicional de explicar um conteúdo + trocentos exercícios), 1 ou 2 canais no youtube pra seguir fielmente (tipo Français avec Pierre), 1 podcast pra escutar de maneira disciplinada (eu gosto muito do 7 milliards de voisins e do Accents du monde, ambos do RFI e fáceis de achar na internet), 1 livro por mês (Petit Prince, óbvio e fácil) e 1 série (Fais pas ci, fais pas ça é ótima). Se você estabelece um cronograma que cubra essas atividades e for fiel a ele, já está de bom tamanho.
- Falar desde o início é muuuito importante. Então não hesite em usar sites do tipo Italk ou então faça aulas focadas em conversação (individuais ou em grupo). Eu passei uns bons anos pronunciando várias coisinhas erradas até que uma professora particular começou a prestar atenção e a me corrigir.
- Parece bobo, mas mudar a linguagem do celular, e-mail e redes sociais ajuda muito. Você acaba adquirindo um vocabulário de maneira quase natural.
Alors, é isso. Bon courage e até mais!
Esse não era meu caso porque o mestrado que eu escolhi era em francês e eu queria praticar a língua que passei anos estudando. Então, na verdade, o meu movimento foi: eu já falava francês e decidi fazer um mestrado na França. Muita gente faz o contrário: decide fazer o mestrado na França e, aí sim, parte para aprender o francês antes de vir. Então aqui eu vou falar da minha experiência pessoal com a aprendizagem do francês, um caminho belo e tortuoso ao mesmo tempo.
Primeiro: eu cursava Letras na USP e, no final do primeiro ano da graduação, podíamos escolher uma habilitação, ou seja, uma língua estrangeira ou linguística, para estudar. Eu tive o privilégio de estudar em uma universidade que oferecia muitas, muitas opções mesmo de habilitação. Grego, latim, russo, alemão, francês, italiano, espanhol, inglês, armênio, chinês e árabe eram algumas delas. Descartei linguística logo de cara porque não gostava do assunto e descartei inglês também porque queria aprender um novo idioma e já me virava nessa língua. Em seguida, descartei os idiomas cujo alfabeto não fosse o latino/romano e descartei o espanhol porque pensei que era uma língua relativamente fácil e que eu poderia aprender por conta própria. No final das contas fiquei entre o francês e o alemão e graças a Zeus escolhi francês. Achava a língua chique e estava curiosa. Foi isso.
Para ser sincera, o francês não é uma língua super difícil não. Por ter a mesma raiz latina que o português, o vocabulário e a gramática são bem parecidos. O que mata é a pronúncia e a ortografia (aquelas consoantes duplas e milhares de acentos na mesma palavra são um terror).
Como eu estudava francês como habilitação do curso de Letras, tinha aulas duas vezes por semana de língua e uma vez por semana tinha aula de literatura francesa. Eu comecei as aulas 100% crua, não conhecia nada, nada mesmo da língua, nem contar de 1 até 10. Então ter a primeiríssima aula de francês já ministrada em francês foi um baque e eu jurei que não ia rolar. Mas sim, rolou. E foi ótimo porque eu definitivamente aprendi francês muito mais rápido do que o inglês, pois desde o início meu ouvido foi treinado à língua e minhas professoras eram ótimas. Porém, a verdade é que eu não era uma aluna suuper aplicada não. Não era de ficar fazendo exercícios em casa e minhas notas eram ok. Passei assim pelo primeiro e segundo ano de francês até que, no terceiro ano, tive aulas com uma professora que foi meu divisor de águas. Ela despertou em mim um desejo de aprender de verdade o francês e levar mais a sério essa empreitada. Nesse período eu senti que a coisa deslanchou: comecei a fazer curso extra-curricular de francês no contra turno pra perder o medo de falar, fazia mil exercícios e fichas de gramática em casa, comecei a assistir filmes e séries sem legenda pra treinar o ouvido etc etc etc.
Resumindo, minha trajetória no francês foi longa, mas se eu tivesse me dedicado mais desde o início, teria aprendido mais rápido, isso é fato. Então, ao longo desse anos, fui descobrindo o que dava certo ou não para mim e compartilho aqui alguns aprendizados:
- É muito legal desde o início assistir séries, filmes e ouvir música e podcast em francês, mas tem que sentar na cadeira e fazer exercícios de conjugação de verbo sim. Désolée.
- A internet tem mil recursos disponíveis para aprender a língua de maneira autônoma, então cuidado pra não ficar perdidx. Eu escolheria 1 gramática (Grammaire progressive du français pra mim foi uma boa, pois é um esquema bem tradicional de explicar um conteúdo + trocentos exercícios), 1 ou 2 canais no youtube pra seguir fielmente (tipo Français avec Pierre), 1 podcast pra escutar de maneira disciplinada (eu gosto muito do 7 milliards de voisins e do Accents du monde, ambos do RFI e fáceis de achar na internet), 1 livro por mês (Petit Prince, óbvio e fácil) e 1 série (Fais pas ci, fais pas ça é ótima). Se você estabelece um cronograma que cubra essas atividades e for fiel a ele, já está de bom tamanho.
- Falar desde o início é muuuito importante. Então não hesite em usar sites do tipo Italk ou então faça aulas focadas em conversação (individuais ou em grupo). Eu passei uns bons anos pronunciando várias coisinhas erradas até que uma professora particular começou a prestar atenção e a me corrigir.
- Parece bobo, mas mudar a linguagem do celular, e-mail e redes sociais ajuda muito. Você acaba adquirindo um vocabulário de maneira quase natural.
Alors, é isso. Bon courage e até mais!
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