Por que um mestrado? E por que na França?

Fazer um mestrado na França pressupõe, no mínimo, três coisas: 1 - há uma motivação clara que justifica o tempo, energia e esforço a ser dedicado a um mestrado. 2 - há um interesse em fazer o mestrado fora do Brasil. 3 - há um interesse que justifica a escolha pela França.

Pois bem, no meu caso os 3 requisitos foram sendo preenchidos ao longo do tempo. Primeiro de tudo que fazer um mestrado nem sempre é uma escolha óbvia ou um caminho natural. Eu venho de uma família cuja primeira geração a fazer uma graduação foi a minha, então foram outros fatores que influenciaram minha decisão de fazer um mestrado, seja no Brasil ou em outro país. Na verdade, durante boa parte da minha graduação (fiz Letras na USP) eu não me imaginava fazendo um mestrado. Via aquela galera mergulhada em Iniciações Científica, emendando mestrado na graduação e doutorado no mestrado (a galera que antes dos 30 tem título de doutor) e simplesmente não me via nesse mundo acadêmico. Achava que tudo era uma grande bolha e que a produção acadêmica era regada de egocentrismo e pouca praticidade na vida real. Veja bem: eu sempre gostei de estudar, mas não me imaginava fazendo uma carreira acadêmica. Assim, durante uns bons anos, estava certa de que não faria um mestrado. 

Bom, daí a gente vive outras experiências, conhece outras pessoas, amadurece... e, bem aos poucos, me convenci de que fazer um mestrado poderia ser, antes de tudo, uma experiência interessante para mim. Óbvio que eu levei em conta que um mestrado poderia ser importante para minha carreira mas, de verdade, a motivação principal era ter a chance de poder estudar mais a fundo uma área na qual trabalho e pela qual sou apaixonada: a educação. 

Pois bem, uma vez que eu estava decidida a fazer um mestrado, começou o dilema de onde fazer. De uma coisa eu estava certa: não queria fazer na USP, pois queria ter a oportunidade de estudar em outras universidades públicas. A princípio, cogitei a Unifesp e a UFABC mas, bem lá no fundo, eu sabia que o que eu queria mesmo era fazer um mestrado fora do país. Isso porque depois de estudar idiomas, viajar, fazer intercâmbios e afins, eu queria muito ter a experiência de estudar e morar fora do país por um período maior de tempo. 

A minha primeira opção não foi a França, embora eu tenha passado os anos da minha graduação aprendendo o francês. Minha primeira opção era nada mais, nada menos que a Finlândia. O país, que costuma encabeçar a lista dos que possuem melhor sistema educacional, me pareceu uma opção óbvia e natural para um mestrado em Educação. Tinha achado um mestrado em Educação e Globalização na Universidade de Oulu que me parecia perfeito: tinha matérias que eu gostava, o mestrado era em inglês, não se cobrava anuidade (nem mesmo de alunos estrangeiros fora da União Europeia), a cidade tinha um baixo custo de vida mesmo sendo em euros e, pra completar, tinha achado uma menina que também tinha feito Letras na USP e que estava cursando esse mestrado. Tudo lindo até que, de um ano para o outro, o ministério da educação finlandês decidiu mudar de ideia e passar a cobrar uma anuidade módica de 15 mil euros para estudantes originários de países de fora da União Europeia. Havia a possibilidade de conseguir uma bolsa de isenção da anuidade, mas eu pensei com meus botões: não vou correr o risco de investir tanto tempo e energia em passar no processo seletivo se no final há o risco de não conseguir a bolsa e eu vou ter jogado meu tempo fora. Assim, com uma dorzinha no coração, deixei a Finlândia partir da minha cabeça. 

Então, a ideia de vir para a França fazer o mestrado voltou à tona. Na graduação, eu estava obcecada com a ideia de vir para a França, seja fazendo um semestre acadêmico, seja participando do programa de au pair, seja fazendo um curso de francês... Mas nada parecia se encaixar. Com a decepção pós-Finlândia, comecei a levar mais a sério essa possibilidade de vir fazer o mestrado na França e comecei a me preparar (toda a preparação renderá muitos posts). 

Mas, afinal, por que fazer o mestrado aqui? No meu caso, havia muitos motivos. 1- eu já falava francês por conta da graduação; 2 - como minha graduação durou 5 anos e eu já tinha experiência profissional, era possível postular para fazer o mestrado em um único ano ao invés de dois, o que me pouparia muitos euros. 3 - eu queria um mestrado profissional que combinasse aulas teóricas com estágio prático, e a França oferece vários nessa modalidade. 4 - até 2018, a anuidade de um mestrado em uma universidade pública francesa não passava de 300 euros. 5 - eu amava a cultura, a literatura e a língua francesa e queria viver tudo isso na pele. 

Além de ser na França, eu queria fazer o mestrado em Paris porque bem, é Paris. Além disso, a Universidade Paris-Descartes possui um mestrado pelo qual eu simplesmente me apaixonei: Cooperação Internacional em Educação e Formação. O mestrado era mais generalista, abordava vários assuntos que eu amo, tinha um estágio obrigatório previsto e ainda tinha tudo a ver com meu projeto profissional. 

Bom, e foi assim que se deu o processo de tomada de decisão de fazer um mestrado E fazê-lo na terra do vinho e do queijo. É bom deixar claro que eu não vim pra cá porque achava que a qualidade do mestrado daqui era infinitamente superior a de um mestrado em uma universidade brasileira. Pelo contrário: acho que, em termos de qualidade, os mestrados das boas universidades brasileiras têm a mesma qualidade que os daqui, diria até que têm uma qualidade superior em alguns casos. Minha motivação em fazer esse mestrado estava aliada a um desejo de uma experiência internacional e a possibilidade de me aprofundar no assunto de cooperação e agenda internacional em educação, temas que não são tão trabalhados no contexto brasileiro. 

Bem, voilà, essa foi a saga da decisão. Logo mais, posts sobre o passo a passo para você que também alimenta o mesmo desejo de vir fazer o mestrado em terras francesas. 

Bisous!



Comentários